Conheça a história do município de São Cristóvão, em Sergipe

Conheça a história do município de São Cristóvão, em Sergipe

São Cristóvão é um pequeno município do Sergipe, mas que guarda uma história muito antiga e riquíssima. Saber mais sobre a cidade é uma ótima maneira de conhecer melhor o Brasil e entender os processos de expansão urbana no Nordeste.

Ficou interessado? Então, acompanhe o texto para ficar por dentro da história de São Cristóvão e de seus fatos mais marcantes, entendendo por que a cidade se tornou um importante ponto turístico!

Nascimento e mudanças

São Cristóvão foi fundada em 1º de janeiro de 1590 pelo capitão português Cristóvão de Barros. Foi a primeira cidade de Sergipe e a quarta surgida no Brasil, depois de Salvador, Rio de Janeiro e João Pessoa. 

O atual município de São Cristóvão é sua terceira localização — isso mesmo, a cidade mudou de lugar duas vezes ao longo da história! A princípio, São Cristóvão foi erguida mais próxima ao litoral, perto da foz do Rio Vaza-Barris.

Entre 1595 e 1596, foi transferida como medida de segurança contra uma possível invasão da França. Os franceses, que já haviam ocupado aquele território, pretendiam reconquistá-lo — e o fato de já o conhecerem poderia facilitar um ataque ao povoado. Assim, a cidade se mudou para uma elevação próxima à barra do Rio Poxim.

A segunda transferência ocorreu antes de 1607, mas não há um consenso sobre os motivos. Fato é que São Cristóvão se instalou à beira do Rio Paramopama (afluente do Vaza-Barris) e a 23 quilômetros da atual capital Aracaju.

Formação da cidade

No período da fundação de São Cristóvão, Portugal estava sob domínio do Rei Felipe II, da Espanha, durante a União Ibérica. Por isso mesmo, é possível observar a influência de ambos os países na constituição urbana da cidade.

A herança portuguesa pode ser notada no modelo de cidade, com dois planos bem diferentes: a Cidade Alta — onde ficava a sede do poder civil e religioso — e a Cidade Baixa — em que se localizavam o porto e as fábricas e vivia a população de baixa renda. A divisão social, tão marcante no Brasil Colônia, podia ser conferida também nos telhados das casas locais: com suas tribeiras, beiras ou eiras, indicavam a que grupo social pertencia o morador.

A influência espanhola, por sua vez, é visível nos traços arquitetônicos e urbanísticos da Praça São Francisco. Hoje um símbolo da cidade, a praça ganhou, nessa época, diversas construções barrocas de grande valor histórico na atualidade.

Períodos difíceis

Em 1637, São Cristóvão foi invadida pelos holandeses. Diante do ataque, a estratégia das tropas luso-espanholas foi incendiar as plantações e dispersar o gado — o objetivo era prejudicar o abastecimento dos invasores. A população local foi orientada a desertar.

Em 1645, os holandeses foram finalmente expulsos da região, e São Cristóvão ficou, em grande parte, destruída. Nos anos seguintes, a cidade foi sendo, aos poucos, revitalizada. Nesse período, Sergipe acabou anexada à Bahia, de modo que São Cristóvão se tornou sede de Ouvidoria. 

Porém, em 1820, por meio de um decreto de Dom João VI, Sergipe ganhou emancipação da Bahia, se tornando Província do Império do Brasil — tendo São Cristóvão como sua capital.

Mas essa condição durou pouco, pois os senhores de engenho iniciaram um movimento por mudanças. Seu objetivo era que a nova capital tivesse um porto grande o suficiente para receber embarcações maiores, a fim de facilitar o escoamento da produção açucareira — produto fundamental para a economia da época. Assim, em 17 de março de 1855, o presidente da província Inácio Joaquim Barbosa muda a capital de Sergipe para Aracaju.

Tempos modernos

Após perder a condição de capital da província do Sergipe, São Cristóvão passou por um período de crise e despovoamento. A situação iria melhorar no começo do século 20, momento de crescimento das fábricas de tecido e de estabelecimento da via férrea.

Essas transformações tornaram a economia local muito mais dinâmica e modificaram a paisagem urbana da cidade. Ainda que as construções dos séculos passados tenham sido, em boa parte, preservadas, a cidade passou a abrigar novas casas e modernos prédios.

O município seguiu se transformando nos anos 1950, quando São Cristóvão perdeu sua área litorânea para Aracaju — o prefeito Lourival Baptista cedeu o terreno em troca de um gerador elétrico para a cidade, o que causou muita polêmica.

Nos anos seguintes, São Cristóvão passou por importantes acontecimentos, fundamentais para sua expansão urbana. Em 1980, o novo campus da Universidade Federal de Sergipe foi construído às margens do Rio Poxim, atraindo profissionais e estudantes do estado e de todo o país. Mais recentemente, por sinal, os arredores da universidade têm se tornado um grande centro habitacional, o que vem transformando a cidade histórica.

Na mesma época, a partir do crescimento do Rosa Elze e da inauguração do Conjunto Eduardo Gomes, ocorreu o processo de conurbação entre São Cristóvão e Aracaju. Dessa forma, surgiram novos conjuntos e loteamentos na região, como o Jardim Universitário, o Luiz Alves e o Rosa Maria. Atualmente, essa é a área mais urbanizada e populosa de São Cristóvão, estando a apenas 10 km do centro de Aracaju.

Atualmente

Nos dias de hoje, a paisagem urbana de São Cristóvão se espalha pelas margens do Rio Paramopama, integrando a topografia acidentada do morro da Cidade Alta com a Cidade Baixa. Diante de tantas reviravoltas e dificuldades ao longo do tempo, o município foi capaz de preservar sua riquíssima história, se tornando um importante patrimônio histórico-cultural do Sergipe e do Brasil.

Em 1938, São Cristóvão foi elevada à categoria de Cidade Histórica. Já em 1967, seu conjunto arquitetônico foi tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Em 2010, mais um reconhecimento, de nível internacional: a praça São Francisco (a principal da cidade) foi eleita pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) um Patrimônio Cultural da Humanidade.

Atualmente, São Cristóvão possui em torno de 85 mil habitantes. E, com tanta história boa para contar, é um importante polo turístico do Nordeste! Tanto é que o turismo se tornou uma de suas principais atividades econômicas, e a cidade recebe vários visitantes interessados em conhecer suas ruas, ladeiras e construções que datam de séculos passados. 

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